quinta-feira, 16 de junho de 2011

quarta-feira, 15 de junho de 2011

Testemunho - A HISTÓRIA DO MEU AVÔ

A minha mãe costuma dizer-me:
"Quando, devido à situação económica do nosso País, oiço dizer que o que era preciso para “isto” endireitar era vir novamente o regime de Salazar, arrepio-me e penso logo que estas pessoas nunca tiveram familiares directos nas prisões, nessa época."
Quando lhe pergunto se o que sabe foi o meu avô que lhe contou, ela diz:
"Tudo o que sei, foi o que fui juntando de conversas que tinha com o meu pai, pois ele não gostava de falar do que se passou na prisão.
Sendo jovem idealista, curioso por saber tudo o que poderia existir no mundo, não tendo ido à tropa por falta de peso, depressa se juntou a um grupo de amigos que comungavam os mesmos ideais de justiça e igualdade. Em casa de um vizinho desenvolveu a primeira biblioteca de Murça. Clandestina, ela tinha os livros censurados pelo governo de Salazar. Era nessa casa que se lia e se fazia a troca de livros que nunca percebi como é que o meu pai os arranjava. Para entender melhor é preciso esclarecer que a maior parte do clero apoiava o regime e ajudavam o mesmo através de denúncias. Um dia, o meu pai estava em casa e aparece a PIDE. A casa é revistada e encontram o livro “A Mãe” do Máximo Gorki, escritor Russo, que só pela sua descendência já não podia ser lido nem divulgado. O meu pai foi levado preso e era-lhe exigido que denunciasse o dono do livro. O meu pai recusou sempre e, um dia, disse-me, “nunca o faria mas, mais a mais, o dono era casado e tinha filhos para criar”.
Quanto tempo esteve o meu avô na prisão? Perguntei-lhe.
"Durante um mês foi sujeito a várias situações mas uma que me conseguiu marcar foi quando me disse que os guardas apagavam as beatas dos cigarros nos pratos de arroz que eles tinham que comer. Como não conseguiram que denunciasse o dono do livro e devido às influências que o meu avô tinha na altura, ele foi libertado mas convidado a sair de Portugal. Foi nessa altura que ele arranjou uma carta de chamada e foi trabalhar para o cartório notarial de Luanda pois nesse tempo possuía o 5º Ano Comercial e Industrial. Como nunca gostou de se sentir preso entre quatro paredes, embarcou na aventura. Vai para Moçambique, onde foi um comerciante, criador de gado e cultivador de algodão".
Eu, como não percebi bem, perguntei-lhe por quem tinha sido ele denunciado.
"Ele foi denunciado por um Padre que sabia que o livro na posse do meu pai não era dele mas de um seu sobrinho".
A minha mãe informou-me, ainda, de que a Biblioteca Municipal possui a obra completa do Máximo Gorki, pois fez questão de doar os livros do meu avô para o grande sonho dele, que era Uma Biblioteca Pública em Murça. Segundo ela, o meu avô dizia que os livros nunca deveriam ficar muito tempo em casa de ninguém pois eles devem estar ao dispor da comunidade. Até à hora da sua morte, os livros e os jornais coabitavam com ele à sua mesa. Esta é uma das muitas recordações da minha mãe.

Francisco Borges - 6ºA

sexta-feira, 10 de junho de 2011

GRUPO DE MÚSICAS E CANTARES - 6º B



O Grupo de Músicas e Cantares Tradicionais do 6º B fez a sua apresentação de estreia no dia 13 de Junho, actuando no Lar de Idosos da Santa Casa da Misericórdia, Unidade de Cuidados Continuados de média e longa duração de Murça e na Escola Básica e Secundária. A criação deste grupo insere-se no projecto desenvolvido em Área de Projecto "Património musical e etnográfico do Concelho de Murça" e contou com a colaboração da disciplina de Educação Musical. O projecto consistiu na recolha e organização de dados sobre o património etnográfico e musical da região, bem como de instrumentos musicais que estiveram patentes numa exposição que decorreu na BE/CRE da Escola.
O grupo é constituído por todos os alunos da turma do 6º B sob a orientação da professora Edite Coelho. Conta ainda com a participação do Nicola Scalise do 6º C, no bombo.
O grupo voltará a actuar no dia 17 de Junho, na quarta edição do festival da canção infantil do Concelho de Murça, pelas 21H00 , que se vai realizar na Praceta Banda Marcial de Murça, no Jardim de S. Miguel..

domingo, 15 de maio de 2011